domingo, 24 de março de 2013
A arte de perfumaria consiste em extrair das plantas e de algumas substâncias animais e minerais as matérias aromáticas que contêm, e em combinar essas matérias com outras, para formar produtos que sempre foram considerados, e hoje mais do que nunca, como extremamente necessários à higiene, à beleza e ao bom gosto.
A grande maioria dos corpos que nos fornecem os perfumes pertencem ao reino vegetal, constituindo alguns, por assim dizer, quase o monopólio de certas regiões onde, pelas favoráveis condições de clima e de terra onde são criados, melhor se desenvolvem e mais ricos são em aromas. Assim, a França fornece-nos os melhores perfumes de flores de laranja, de rosa, de jasmim, de violetas, de flores de acácia e de tuberosa; a Inglaterra os de hortelã-pimenta e de alfazema, aos quais, comparado com os de outros países se atribui grande valor; a Itália os de bergamota e de raiz de violeta; a Alemanha do norte, de cominhos e de lírios, etc., etc., fazendo para isso nestes países grandes culturas especiais, não só das plantas citadas como de muitas outras, que ocupam enormíssimos terrenos e dão que fazer a milhares de operários.
Segundo os corpos donde são extraídos, os perfumes empregados pelo perfumista para a confecção dos seus produtos podem dividir-se em perfumes vegetais, perfumes animais e produtos químicos (perfumes artificiais).
Os perfumes vegetais têm a sua origem em certos órgãos particulares das plantas, chamadas glândulas oleosas, nos quais estão depositadas as matérias aromáticas.
Estas glândulas existem mais comumente nas flores e os frutos, mas muitas vezes, também, nas raízes, nas cascas e na madeira, sendo mais raras nas outras partes das plantas.
Algumas plantas fornecem perfumes diferentes, conforme as partes donde são extraídos, como, por exemplo, a laranjeira, cuja matéria aromática tirada das folhas é diferente da dos frutos e a das flores diferente destas duas.
Os perfumes extraídos do reino vegetal classificam-se, segundo a sua consistência, em óleos essenciais quando líquidos, em bálsamos quando são líquidos muito espessos, e em resinas quando sólidos.
Esta classificação não é, porém, verdadeira para todos, porque alguns podem passar dum estado a outro com facilidade, como, por exemplo, o óleo de rosas que é um líquido pouco fluido e que se solidifica completamente a alguns graus superiores ao ponto de congelação da água.
Os óleos essenciais, que também têm em perfumaria o nome de essências, são a maior parte das vezes misturas de substâncias oleosas primitivas, não tendo sofrido nenhuma alteração, e de outras tendo sofrido a acção do oxigénio do ar, donde nasce a sua divisão em óleos não oxigenados e óleos oxigenados.
Os óleos essenciais não oxigenados compõem-se de dois corpos simples, o carbone e o hidrogénio, e os oxigenados compõem-se destes dois corpos e mais oxigénio. Uns e outros têm constituição química idêntica na aparência, mas diferem entre si pelas propriedades físicas, pois não são iguais, em ambos os grupos, a densidade, o poder de refracção, os pontos de ebulição e até, o que é mais importante, o aroma, que só tem de comum a uns e outros o ser desagradável em princípio.
Só quando um óleo é submetido a um ponto de diluição bastante elevado é que o seu perfume se torna agradável e semelhante ao da planta donde foi extraído.
Os óleos essenciais, segundo as suas propriedades físicas, podem ser considerados como líquidos de cheiro narcótico, incolores, mas dotados dum grande poder de refracção e facilmente inflamáveis. O seu ponto de ebulição é de 160 a 180 graus centígrados. São todos facilmente solúveis no álcool, no éter etílico, no éter do petróleo, na benzina, no sulfureto de carbone, nos óleos e corpos gordos, e na glicerina.
Os óleos essenciais volatilizam-se facilmente e perdem parte das suas propriedades ao contacto do ar e sob a influência da luz. Por este motivo deve haver cuidado para a sua conservação. Para impedir o contacto do ar é conveniente guardá-los em pequenos frascos com rolhas de vidro esmerilado, tendo para maior resguardo, uma segunda tampa que envolva o gargalo e se fixe no exterior do frasco.
Os frascos devem ficar completamente cheios e ser guardados em lugares escuros e onde a temperatura seja pouco variável.
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